quinta-feira, 5 de julho de 2012

ONG de mulher de Perillo dá R$ 23 mi a faculdade envolvida em venda de casa

Entidade presidida por primeira-dama de Goiás repassou verba de bolsa a alunos carentes; Receita já investigou instituição de Walter Paulo

 

 

Alana Rizzo, de O Estado de S.Paulo
Sigilos bancários obtidos pela CPI do Cachoeira revelam que a Faculdade Padrão, do empresário Walter Paulo Santiago, recebeu R$ 22,9 milhões da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), entidade comandada hoje pela primeira-dama do Estado, Valéria Perillo. Segundo dados repassados aos parlamentares pelo Banco Industrial e Comercial (BIC Banco), os valores foram transferidos entre os anos de 2007 e 2012 como parte do programa Bolsa Universitária.
Marconi Perillo durante depoimento à CPI do Cachoeira - AE
AE
Marconi Perillo durante depoimento à CPI do Cachoeira
Em 2012, a instituição de ensino já recebeu R$ 2,4 milhões das Voluntárias de Goiás. Em 2010, por exemplo, o repasse da entidade foi de R$ 3,35 milhões – naquele ano, a Faculdade Padrão declarou à Receita Federal ter movimentado R$ 7 milhões em créditos e receita bruta de R$ 16,1 milhões. Um ano depois, o repasse da OVG à instituição de ensino subiu para R$ 4,4 milhões.
Valéria Perillo está pela segunda vez à frente da OVG. Entre 1999 e 2006, ela foi responsável por instituir o programa de bolsas para alunos carentes, do qual participa a Sociedade de Educação e Cultura Goiana Ltda. (razão social da Faculdade Padrão).
Em 2004, a instituição de ensino ganhou benefício fiscal pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), do governo federal. A isenção vai até 2014.
Casa. Walter Paulo é uma das peças do quebra-cabeça em que se trasformou a venda da casa do governador Marconi Perillo (PSDB), em Goiânia. O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso no local pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Perillo diz ter vendido o imóvel para Walter Paulo.
Ele diz que comprou o imóvel, mas que a casa estava emprestada para Andressa Mendonça, noiva de Cachoeira, atendendo a pedido de Wladimir Garcez, ex-vereador do PSDB também preso pela PF. O imóvel foi registrado em nome da Mestra Administração, empresa inativa desde 2006 e que teve como sócios pessoas ligadas à Faculdade Padrão ou a Walter Paulo.
A quebra do sigilo da Faculdade Padrão mostra ainda transferências para a Idonea Factoring, empresa já baixada na Junta Comercial de Goiás e que teria participado da compra da casa, além de pagamentos para a Gestão Assessoria Contábil e para a Alpha Administração e Participações, registrada em nome de Alex Santiago.
A faculdade já foi alvo de investigação fiscal, segundo nota técnica da Receita. O documento mostra que as incongruências nas contribuições previdenciárias da instituição entre 2005 e 2008 somavam R$ 17,2 milhões.
Os dados do Fisco apontam que a empresa tem movimentação financeira inferior à receita bruta declarada e, em 2007, alienou 17 imóveis por R$ 2,1 milhões. Todos em nome de um único sócio, Alex Marcorio Santiago. Na declaração de 2011, ele aparece como o único dono da faculdade e destinatário de R$ 4,7 milhões de lucro.
Defesa. Em nota, o Governo de Goiás informou que a Faculdade Padrão não recebeu verba do Estado. O dinheiro seria de um programa, criado por Perillo em seu primeiro mandato e depois, segundo a assessoria, copiado pelo governo federal como ProUni.
"Quando um aluno passa no vestibular, solicita a bolsa universitária e, se se enquadra no programa, ela é concedida. O aluno é quem escolhe a faculdade. E o beneficio é concedido a ele, não à faculdade," diz o texto. "Este programa contempla o aluno. Obviamente, o pagamento das mensalidades é feito à faculdade onde o aluno estuda. Em Goiás, 50 instituições de ensino superior aderiram ao programa. A Faculdade Padrão é uma entre elas. Já foram concedidas mais de 105 mil bolsas a alunos carentes."
O Estado pediu à OVG a lista de pagamentos, ano a ano, para instituições de ensino. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. As Voluntárias de Goiás informaram que os pagamentos feitos para a Faculdade Padrão fazem parte do Bolsa Universitária. Walter Paulo não foi localizado pela reportagem.
Fonte: Estadão.com.br

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CCJ do Senado aprova processo de cassação de Demóstenes

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira (4) por unanimidade de 22 votos o processo de cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Com a decisão, o processo segue para votação no plenário do Senado.
A comissão precisava considerá-lo legal para que os senadores analisem, em votação secreta no plenário, se Demóstenes deve perder o mandato.
Relator na comissão, o senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou que não houve vícios de legalidade, constitucionalidade ou juridicidade que impeçam a tramitação do processo no Senado. Cabe à CCJ apenas julgar se há irregularidades no caso, sem entrar no mérito das denúncias que ligam Demóstenes ao empresário Carlos Cachoeira.
Em relatório de 28 páginas, Taques faz um resumo de toda a tramitação do processo de cassação de Demóstenes no Conselho de Ética do Senado, onde foi aprovado na semana passada.
Taques disse que não houve "máculas constitucionais" no processo, o que garante legalidade à aprovação do senador Humberto Costa (PT-PE) - que relatou o caso Demóstenes no Conselho de Ética. Segundo Taques, o colegiado também respeitou os princípios de ampla defesa para o ex-líder do DEM, mesmo depois que Demóstenes questionou no STF prazos e decisões tomadas pelo conselho.
O relator também afirma que Demóstenes foi "amplamente assistido" por advogado, teve acesso a todas às provas do processo e o direito a produzi-las dentro dos limites de investigação do conselho.
Taques diz, ainda, que houve correto enquadramento das denúncias contra Demóstenes como quebra de decoro parlamentar, uma vez que a Constituição prevê que deve ser cassado o senador que tiver procedimentos declarados "incompatíveis com o decoro".
Na discussão do relatório, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse que Demóstenes tem "duas personalidades" com a capacidade de "mentir, enganar e manipular" os seus pares. A senadora afirmou que o ex-líder do DEM faz um "teatro" para tentar convencer os senadores de que é inocente, mas sofre de uma "patologia mais complicada" do que alguém que tenta "enganar" os colegas.
Foram as críticas mais duras a Demóstenes feitas por um dos senadores desde que as denúncias contra o parlamentares vieram à tona.
"Ele conseguiu com esse teatro alguma simpatia, não sei de votos. Mas o que houve foi uma manipulação tão séria, hábil, que mostra patologia muito mais complicada do que alguém que tentava enganar", afirmou a petista.
Relator do processo contra o senador no Conselho de Ética do Senado, Humberto Costa (PT-PE) disse que o ex-líder do DEM mentiu para os seus pares e deve perder o mandato. "Os fatos são total e absolutamente cristalinos de que houve quebra do decoro e conduta absolutamente incompatível com o mandato de um senador."
O senador Magno Malta (PR-ES) afirmou que os senadores não devem "tripudiar em cima" de Demóstenes uma vez que todos já foram vítimas de ataques contra suas honras. "Quantos na vida pública não viveram a mesma coisa enquanto nossa família chorava em casa? O julgamento é político, individual, com a consciência de cada um."
DEFESA
O advogado de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, disse que, a pedido de Demóstenes, não vai recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para suspender o processo - embora considere que houve "falhas" durante sua tramitação no Senado.
O advogado pediu que os senadores levem em consideração, no momento do voto no plenário, que o Supremo pode considerar ilegais as escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que flagrou conversas de Demóstenes com Cachoeira. "Imagina a cassação e, um mês depois, o Supremo liquida com esse inquérito, diz que as provas são ilegais. É correto julgar um senador da República baseado em prova ilegal?", questionou o advogado.
Fonte: Folha.com

terça-feira, 3 de julho de 2012

Corrupção é reconhecida como um obstáculo ao desenvolvimento sustentável no documento final da Rio+20

Pela primeira vez na história da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável a corrupção é reconhecida como um sério obstáculo à erradicação da pobreza, à fome e ao desenvolvimento sustentável.
Após um intenso trabalho de mobilização da Transparency International, AMARRIBO BRASIL e todo o movimento nacional e internacional anticorrupção, o item 266 do documento final da Rio+20, intitulado “O futuro que queremos”, define que a corrupção, tanto a nível nacional como internacional é reconhecida como sério obstáculo para a alocação eficaz de recursos para a erradicação da pobreza, a luta contra a fome e o desenvolvimento sustentável. Ainda determina esforços de todos os Estados que assinaram o documento para tomarem medidas urgentes e decisivas para combater à corrupção em todas as suas manifestações.
A AMARRIBO BRASIL e a Transparency International, ao lado de mais de 85 organizações da sociedade civil apoiam fortemente tais disposições. A inclusão deste item no documento final da Rio+20 e o reconhecimento da corrupção como desafio a sustentabilidade é muito importante, apesar do documento final carecer de compromissos mais concretos em todas as frentes discutidas durante a Conferência para garantir o um futuro sustentável para todos.
Para a presidência da Transparency International, Huguette Labelle, "Em sua forma atual, o documento final da Rio+20 pode definir o quadro adequado para governança e o combate à corrupção em todos os países a fim de conseguir avanços reais na próxima década para o crescimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental".
Se efetivamente implementadas e executadas, os princípios anticorrupção contidos no documento, tal como consagrado na Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, irão ajudar a garantir que os bilhões de dólares investidos no desenvolvimento sustentável não sejam desviados para o bolso de corruptos e outros fins ilícitos.
A AMARRIBO BRASIL, durante a Rio+20 participou de um Seminário sobre Financiamento Climático, Sustentabilidade e Corrupção. O Seminário foi organizado pela Transparency International em parceria com a AMARRIBO BRASIL, Artigo 19 e Instituto Ethos e contou com a presença de diversas instituições, dentre elas Transparência Mexicana, Instituto de Proteção Ambiental, Nature Conservancy, MCCE, e o ex-Ministro do Meio Ambiente de Buenos Aires. Josmar Verillo e Marlón Reis estiveram presentes representando a AMARRIBO BRASIL.
Para Josmar Verillo, Vice-Presidente da AMARRIBO BRASIL: “A corrupção é uma das grandes mazelas do ser humano. Trata-se de um comportamento antissocial, que impede a melhoria da qualidade de vida de todos os povos, e afeta negativamente as populações mais carentes, que mais dependem dos recursos do Estado. É muito positivo que a discussão de sustentabilidade passe a contemplar esse fator, pois isso vai ajudar muito o trabalho das organizações que lutam para reduzir o nível de corrupção no mundo”.
Fonte: AMARRIBO BRASIL

Demóstenes volta ao plenário para se defender e diz ser a bola da vez


Ricardo Brito, da Agência Estado
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) voltou na tarde desta terça-feira, 3, ao plenário para fazer seu segundo discurso na tentativa de evitar a cassação por conta das acusações de ter usado o mandato parlamentar para defender interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em um pronunciamento de 15 minutos, totalmente lido, Demóstenes reafirmou que é inocente e disse que se tornou a “bola da vez”.
“Hoje eu sou a bola da vez. Se a tramoia der certo comigo e me amputar o mandato, daqui a pouco pode se repetir com outra vítima, um outro senador. É preocupante o precedente de tentar cassar um senador com base em provas ilegais”, afirmou Demóstenes, para um plateia de apenas sete senadores em plenário. Na segunda, no seu discurso de estreia da série, somente cinco parlamentares o ouviram romper o silêncio de mais de 100 dias em plenário.
Demóstenes disse que foram editadas e montadas pela Polícia Federal as escutas telefônicas em que apareceram suas conversas com Cachoeira. O senador questionou o fato de ter sido negado a ele direito a realizar perícias para comprovar o que fala. Para ele, o Senado certamente não se curvará a essa tática de campanha de escolher “um parlamentar como alvo e só sossega quando aparece outro na mira”.
“Perícia não é uma modalidade de enrolação da defesa, não é uma filigrana para postergar julgamento. Perícia é uma ciência a serviço da Justiça”, disse ele, ressaltando que foi investigado ilegalmente com o uso de “tecnologia de ponta”. “Para me punir estão sendo usados métodos medievais. Existir bode expiatório é indigno do Senado da República”, completou.
Mais uma vez, o senador goiano criticou o que chama de “tira hermeneuta”, os agentes da PF responsáveis por fazer a transcrição das conversas grampeadas e verificar indícios de crimes praticados pelos interlocutores. “O tira hermeneuta, de propósito, só colocou no papel o que julgou conveniente para a campanha de demolição da minha honra”, disse.
Demóstenes apelou aos pares. “Aqui estamos entre os melhores hermeneutas do País: os senadores da República. E, se entre nós a análise for puramente política, poderei ser crucificado ou enaltecido. É nesse sentido lato sensu que peço para me julgarem pelo que fiz. Não posso ser responsabilizado por interpretações dissociadas da realidade fática”, afirmou.
Assim como na segunda, o senador deixou o plenário ao fim do pronunciamento. Nesta quarta, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidirá se a tramitação do processo de Demóstenes não violou qualquer preceito legal.

Fonte: Estadão.com.br

Receita vê bens de Agnelo crescerem sem justificativa

Relatório do Fisco enviado à CPI mostra que governador não declarou renda suficiente para explicar evolução patrimonial

 

Fábio Fabrini, de O Estado de S.Paulo
Relatório da Receita Federal enviado à CPI do Cachoeira diz que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), não declarou renda suficiente para justificar a evolução de seus bens e investimentos. Com base nas informações do Imposto de Renda, a análise mostra que em 2009 a variação patrimonial a descoberto foi de R$ 93,57 mil e, no ano seguinte, de R$ 13,6 mil.
O governador do DF Agnelo Queiroz - Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE
O governador do DF Agnelo Queiroz
Suspeito de envolvimento com o grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e de receber propina de laboratórios em sua passagem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o petista declarou, em depoimento à CPI, no mês passado, não haver nenhum reparo a ser feito em seu IR: "Não tenho um centavo de patrimônio a descoberto".
Os dados da quebra de sigilo revelam que o petista não declarou posses entre 2002 e 2008. Bens e aplicações só aparecem a partir daí. Há discrepâncias entre os dados apresentados à Receita e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em períodos de eleição.
Em 2006 - quando disputou, sem sucesso, uma vaga no Senado -, Agnelo tinha, segundo a Justiça Eleitoral, R$ 224,3 mil. À Receita, ele nada declarou naquele ano. Em 2010, o patrimônio salta para R$ 1,15 milhão, conforme o TSE, com a compra, entre outros bens, de uma casa no Setor de Mansões Dom Bosco, área nobre de Brasília, por R$ 400 mil. Esses e outros bens não aparecem na declaração à Receita no mesmo ano, que registra patrimônio bem menor: R$ 248,9 mil.
No seu depoimento à CPI, o governador teve dificuldades para explicar como adquiriu a casa. "Houve cheque, houve depósito. Tudo vai ficar claro com a quebra do sigilo", prometeu. A transação foi feita em 2007 com o empresário Glauco Santos, cuja empresa, a Saúde Import, obteve autorização de funcionamento pelas mãos de Agnelo, quando diretor da Anvisa. O petista nega favorecimento.
Casal. Em coletiva, o porta-voz do governador, Ugo Braga, alegou que, ao calcular o patrimônio "a descoberto", o Fisco desconsiderou a renda líquida da mulher do petista (sem tributação e deduções), Ilza Maria Santos, de R$ 140,6 mil em 2009 e R$ 139,2 mil no ano seguinte. "É mais do que suficiente (para cobrir a evolução do patrimônio). O rendimento é do casal."
O diretor de Estudos Técnicos do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco), Luiz Antonio Benedito, explica que, segundo decreto da Receita, bens comuns de um casal podem ser informados numa declaração conjunta ou, integralmente, na de apenas um dos cônjuges. Nessa hipótese, aquele que nada declarou deve informar que o patrimônio partilhado foi aposto na declaração do parceiro. No caso de Agnelo, os bens comuns foram divididos nas duas declarações.
Dados referentes à mulher do governador só aparecem nos documentos referentes a 2004 e 2010. Mesmo assim, trata-se dos rendimentos dela naqueles anos. Nos demais, nada consta. A infração às regras do decreto, segundo Benedito, é passível de multa.


Fonte: Estadão.com.br

 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ficha Limpa



A Lei da Ficha Limpa, fruto da iniciativa do povo brasileiro, determina a inelegibilidade, por oito anos, de políticos condenados em processo criminais em segunda instância, cassados ou que tenham renunciado para evitar a cassação, entre outros critérios.
São considerados inelegíveis o governador e o prefeito que perderam os cargos eletivos por violação à Constituição Estadual e à Lei Orgânica do Município. Também não podem se candidatar quem tenha sido condenado pela Justiça Eleitoral em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político.
A inelegibilidade alcança, ainda, os que forem condenados pelos crimes contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público; contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência; contra o meio ambiente e a saúde pública; eleitorais, para os quais a lei determine a pena de prisão; de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública; de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos; de redução à condição análoga à de escravo; contra a vida e a dignidade sexual; e delitos praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.
A Lei da Ficha Limpa ainda torna inelegíveis os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure improbidade administrativa. Estão na mesma condição aqueles detentores de cargos públicos que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso do poder econômico ou político.
Estão incluídos na condição de inelegíveis os que forem condenados por corrupção eleitoral, compra de votos, doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma.
Os políticos que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município também são inelegíveis. Estão na mesma condição os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, por ato intencional de improbidade administrativa que cause lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.
Da mesma forma são inelegíveis os que forem excluídos do exercício da profissão, em decorrência de infração ético-profissional, e os que forem condenados em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade.
A lei inclui os que forem demitidos do serviço público em decorrência de processo administrativo ou judicial, e a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais.
São inelegíveis, também, os magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente por sanção, os que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar.

BB/LF

Está chegando o dia limite para a impugnação de candidaturas dos Fichas-Sujas

Fonte: MCCE


O MCCE trouxe ao conhecimento dos cidadãos brasileiros o material "COMO IMPUGNAR O REGISTRO DE CANDIDATURA DE CANDIDATO FICHA SUJA".


Trata-se de importante trabalho - produzido pelo Comitê MCCE do Mato Grosso - que orienta os cidadãos como se deve comunicar irregularidades de candidatos ficha-suja à Justiça Eleitoral, por meio de requerimentos próprios. São dicas exatas de como proceder para a impugnação daqueles que não nos merecem representar.


O prazo para impugnações é de apenas cinco (05) dias contados a partir da publicação do pedido de registro. Nessas eleições, os requerimentos de registros dos candidatos serão apresentados ao Juiz Eleitoral de sua cidade até o dia 5 de julho.


Divulgue e fiscalize! Ficha Limpa, um direito nosso!


COMO IMPUGNAR O REGISTRO DE CANDIDATURA DE CANDIDATO FICHA SUJA


IMPUGNAÇÃO DE REGISTRO HOMICIDIO E CRIMES COMUNS


IMPUGNAÇÃO REGISTRO CRIME ELEITORAL-1


IMPUGNAÇÃO REGISTRO IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

UM DESABAFO QUE VALE A PENA LER E REFLETIR

Dilma precisa criar o Ministério Anticorrupção no país, desabafa leitor


LEITOR RAFAEL FROTA CARVALHO
DE OSASCO (SP)
Tenho orgulho do meu país, por ser tão diversificado, por possuir pessoas tão alegres e batalhadoras. Mas sempre que olho o noticiário, e o pouco que chega sobre os escândalos que surgem em todas as esferas, fico imaginando, por que a tantos anos nenhum presidente fez nada?
Não é possível a um presidente elaborar uma lei, uma medida provisória, ou qualquer outro instrumento que possa por fim a esse descaso contra a essa população, feliz e batalhadora?
Não é possível a Receita Federal, ou aos órgãos responsáveis constatarem que uma pessoa que não tinha nada e, de repente, tem tudo, enriqueceu ilicitamente?
De verdade? Acredito que o mais leigo, mas com algum nível de inteligência saberia que é impossível não ver a corrupção.
Dona Dilma Rousseff, Vossa Excelência derrubou diversos ministros por corrupção ou suspeita de tal, herdados estranhamente do governo anterior. Mas, tais atos foram em conjunto com a imprensa que lhe concedeu esse respaldo.
Vossa Excelência deveria fechar muitos desses ministérios e criar o Ministério Anticorrupção. O que acha dessa ideia?
Imagina o quanto o Brasil poderia economizar por ano com isso? Quantas escolas, hospitais, estradas poderiam ser construídos com esse dinheiro?

Roberto Stuckert Filho-
A presidente Dilma Rousseff
A presidente Dilma Rousseff
Presidente, dessa completitude que é o Brasil, tem noção que enquanto Deltas e Cachoeiras enchem o bolso de dinheiro [o nosso], milhares de crianças passam fome e idosos definham em filas de hospitais? Quando não morrem é claro!
Fazendo uma continha básica, com dados estatísticos, com esse dinheiro economizado não teríamos mais miséria. Sem miséria, teríamos mais gente trabalhando e com mais gente trabalhando, teríamos um Brasil mais desenvolvido e com tudo isso, teríamos um governo arrecadando cada vez mais.
Olha que fantástico! Mas sei que a tal da "governabilidade" a impede de governar. Mas, pensei também nessa tal de governabilidade. Muito chato isso.
Tem que contar com interesses escusos de outros para que a apoie. A senhora não foi eleita por esses inescrupulosos e sim pelo povo! Olha ai a sua governabilidade. O povo! Usa a gente para governar! Até hoje só fomos usados para bancar os nossos governos.
Vossa Excelência está tendo conhecimento do que estão fazendo com os royalties do petróleo? Quanto desperdício? Perdão, não esta sendo desperdiçado e sim desviado.
E dos "lobbys" que acontecem descaradamente no Congresso? E as empreiteiras? Olhei uma tabela de custo de um tijolo para o governo [ano passado], fornecida por vocês, e o custo unitário de um tijolo baiano era o dobro do que eu pagaria aqui na loja da esquina. E se eu comprasse o milheiro, certamente pagaria mais barato.
Presidente Dilma, poderia me alongar e também mostrar o descaso dos governos estaduais e municipais, a vergonha que temos como deputados e vereadores. Será que o Ministério Anticorrupção não resolveria?
Os políticos não poderiam trabalhar cinco dias por semana das 8h às 17h45, como todos os brasileiros?
Vossa Excelência tem um recorde de aprovação --mas nunca fui entrevistado-- e respeito a sua pessoa, mas não esta na hora de visualizar o povo e não a governabilidade?
Estou vendo umas alianças inacreditáveis, que parecem pegadinha. Estas não são ideológicas, mas puramente interesseiras e fico imaginando que os nossos governos devem governar a qualquer custo?
Não. Vossa Excelência, eu não quero mais pagar esse preço. Não aceito mais ser explorado sem receber nada em troca. O que quero em troca é simples: Dignidade!
Não quero mais bancar o luxo de nossos representantes. Não quero que a nossa Justiça se arraste com os poderosos nessa impunidade.
E olha que sou uma pessoa que não tem nenhuma experiência dentro desse meio e sou apenas um mero observador e não um desses incompetentes e sanguessugas que a cercam.
Esse é o meu desabafo e sugestões a Vossa Excelência. Conte com o povo para governar e não com essas coisas que temos no Planalto.
Conte com o povo. E uma dica, essas pesquisas de popularidade são somente para encher a bola da senhora, não acredito que sejam verdadeiras.
Fonte:  Folha de São Paulo - http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/1113757-dilma-precisa-criar-o-ministerio-anticorrupcao-no-pais-desabafa-leitor.shtml

Núcleo central do mensalão combina e Delúbio deve assumir culpa por caixa 2

Grupo que inclui José Dirceu e Genoino, acusados de corrupção ativa e formação de quadrilha, faz acordo com o ex-tesoureiro do PT

 

 

João Domingos e Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo
A um mês do início do julgamento do mensalão, o "núcleo central da quadrilha", conforme definição do então procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, combinou que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares deve assumir que partiu somente dele a iniciativa de formar o caixa 2 para o financiamento de partidos e parlamentares que se coligaram com os petistas nas eleições de 2002 e 2004.
Esse núcleo central, segundo o procurador, era formado por Delúbio, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-deputado José Genoino e o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira. Este último fez acordo com o Ministério Público e já cumpriu pena alternativa de 750 horas de serviços comunitários.
O "núcleo central da quadrilha" foi citado 24 vezes por Souza na peça que pediu a condenação dos envolvidos por crimes como formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e peculato.
Ao afirmar que foi atrás do dinheiro que resultou no caixa 2 sem pedir a autorização a ninguém, Delúbio fará mais do que manter o silêncio sobre o escândalo. Ele abrirá o caminho para que José Dirceu possa reafirmar, no Supremo Tribunal Federal (STF), que estava afastado do partido, não acompanhava as finanças petistas e que não há no processo uma única testemunha ou ato que o incrimine.
José Genoino, que era o presidente do partido, pretende reafirmar que a presença de seu nome apareceu em dois empréstimos feitos pelo PT nos bancos Rural e BMG, isso ocorreu por mera formalidade do cargo. Na condição de presidente, deveria dar o OK a tal tipo de operação.
Na denúncia, Genoino é acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa, como Delúbio e Dirceu. A diferença entre eles é que Dirceu foi chamado, na peça, de "chefe da quadrilha".
Estresse. O acerto feito por Dirceu, Genoino e Delúbio chegou a causar um estresse entre os seus advogados. De acordo com informações de bastidores, Arnaldo Malheiros Filho, que defende Delúbio, discorda da estratégia – a seu ver, ela vai incriminar seu cliente e facilitar a vida dos outros dois. "É claro que esse assunto do pagamento da conta dos partidos que se aliaram ao PT foi discutido pela Executiva Nacional da legenda", disse Malheiros Filho ao Estado. "Delúbio não fez nada sozinho."
Malheiros Filho contesta os argumentos do procurador-geral, baseados no relato da CPI dos Correios. Segundo a comissão, do início do governo Lula a 2005 foi montado um esquema de corrupção baseado na irrigação de empresas de Marcos Valério de Sousa, que obteria contratos vantajosos do governo e do PT em troca de devolver ao partido grandes quantias em dinheiro. O PT usaria tais recursos para distribuir a parlamentares de partidos aliados para que apoiassem projetos do governo.
"Que o Delúbio distribuiu dinheiro, distribuiu. Mas foi para pagar os gastos de partidos aliados e não para comprar parlamentares. E tudo com pleno conhecimento da cúpula do partido", reafirmou o advogado. "No mundo todo, compram-se aliados de forma diferente, oferecendo-lhes cargos e não dinheiro, como se fala na acusação."
‘Peça de ficção’. Já o advogado José Luiz de Oliveira Lima, que defende José Dirceu, afirmou que o ex-ministro não tinha a mínima ideia do que ocorria no PT, pois estava envolvido com as atividades de governo. "Essa denúncia do procurador-geral é a mais fantástica peça de ficção. É a maior irresponsabilidade que já vi uma autoridade cometer em meus 22 anos de carreira", diz ele. "Não há uma única testemunha que fale de mensalão, a não ser o ex-deputado Roberto Jefferson, cassado por mentir ao Congresso".
Por sua vez, o advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende José Genoino, afirmou que o ex-presidente do PT vai permanecer em Brasília, onde trabalha como assessor do Ministério da Defesa. "Ele continuará a levar uma vida normal. Não vai alterar a agenda", avisa Pacheco.
Segundo ele, Genoino não tem nada a ver com a movimentação financeira feita por Delúbio. "Como presidente do partido, Genoino cuidava da relação do PT com a bancada no Congresso, os entendimentos com a base aliada e os movimentos sociais. Nunca tratava de assuntos que pudessem envolver o financiamento de coligações".
Para o advogado, em 2002, quando foi acertado que o PT financiaria o PR, Genoino estava envolvido na disputa pelo governo de São Paulo, eleição que perdeu para o tucano Geraldo Alckmin. "Depois, toda a cúpula e a militância do partido sabiam que o PT entrou numa crise financeira. Foi por isso que o Diretório Nacional delegou ao Delúbio a resolução do problema, como tesoureiro, e coube ao Delúbio resolver isso. Quem tem que responder por isso é o Delúbio", disse o advogado, adiantando a linha de defesa que sustentará no Supremo, durante o julgamento do mensalão.
Fonte: Estadão.com.br